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Em Nome de Deus, O Misericordioso, O Misericordiador

O Profeta Muhammad

Meca (Makkah) já era sagrada quando Muhammad nasceu, no ano de 570 d.C. A cidade recebia peregrinos de todo o quadrante da Península Arábica, devido à Kaabah - cubo (santuário reedificado pelo Abrão e Ismael, seu primogênito).

 

Muhammad nasceu três meses após o falecimento de seu pai, Abdullah. E viveu até os dois anos sem o amparo da mãe, Amina, pois, durante essa época, estava em Medina com a mãe de leite, Halima – nessa época era muito comum que as crianças vivessem até certa idade com as mães de leite. Após completar dois anos de vida, Muhammad volta para o convívio com da mãe e permanece até os 6 anos.

 

Quando o profeta ainda era uma criança, um sistema chamado “Quraysh” – definido como “mega tribo”, se instaurou nos arredores da cidade de Meca. Este sistema centralizou todos os meios comercias e rendas de peregrinos da Kaabah para si e implantou um sistema de “crédito”, onde a pessoa que pegava o crédito e teria de pagar juros de 100%.

 

Passou parte de sua adolescência a pastorear ovelhas, em troca de uma renda honesta. Ainda adolescente, uma vez acompanhou a caravana de seu tio, Abdul ut-talib, a Síria, onde se encontrou com um monge cristão, de nome Bahira, que se aproximou do menino, devido alguns sinais que tivera observado, como sacerdote.

 

Ao verificar um dos ombros do menino, constatou um selo, escrito “Muhammadun Rassulul-lah, Muhammad é o Mensageiro de Deus”. Logo depois, o monge procurou pelo tutor do menino e o alertou que cuidasse dele longe dos politeístas de Meca; pois, se descobrissem o matariam imediatamente. Aos 20 anos, Muhammad aliou-se a um movimento pacifista, “Hilf al Fudhul – aliança pela paz”, que tinha como objetivo proteger os fracos quando estivessem em perigo.

 

Seguiu um padrão simples de vida social. Ganhou o título de “al Amin – o depositário fidedigno” e “al Sadiq – o verídico”, e foi adotado como árbitro imparcial. As pessoas costumavam depositar seus bens junto dele. Aos 25 anos, sua reputação atraiu uma proposta de Khadija, uma comerciante e viúva de 40 anos, que o pediu em casamento.

 

Quinze anos mais novo, realizou o seu primeiro casamento, e teve todos seus filhos com ela. Pouco antes de completar 40 anos, Muhammad criou o costume de passar dias em retiros, em uma caverna chamada “Hirá”, em Meca, onde meditava. Passado algum tempo, começou a ver acontecimentos nos sonhos que, ao amanhecer, via se tornarem realidade tal qual no sonho da noite anterior. No mês do Ramadan do ano 610 d.C., enquanto meditava naquela caverna, apareceu-lhe o Arcanjo Gabriel que lhe ordenou a recitar.

 

Uma vez iletrado, Muhammad respondeu que não sabia ler. Após três vezes de insistência do arcanjo, tendo recebido a mesma resposta, na quarta vez o arcanjo recitou: “Lê, em nome do teu Senhor Que criou! Criou o homem de algo pegajoso! Lê, que o teu Senhor é Generosíssimo! Que ensinou através do cálamo (caneta)! Ensinou ao homem o que este não sabia! ” Assim se deu o início da revelação do Alcorão ao profeta.

 

Sem saber o que estava acontecendo, Muhammad saiu correndo, cheio de medo e com febre. Chegando em casa, pediu a sua esposa que o cobrisse, devido ao forte frio que sentia. Após ter recuperado, contou o sucedido à sua esposa, que, após ter-lhe tranquilizado, o acompanhou a um primo seu - um perito cristão de nome “Uaraqa Ibn Naufal”

 

- a fim de que este os explicasse do que se parecia tal acontecimento.

 

Segundo o que sabia dos ensinamentos da Torá e do Evangelho, Uaraqa disse que Muhammad tivera visto o mesmo Espírito que tivera sido enviado para Moisés e Jesus, e que Muhammad seria expulso da sua própria cidade, pelo seu povo; ao que ele replicou: “Eles chegarão ao ponto de me expulsar da cidade? ”. Uaraqa respondeu que sim; pois, jamais houve profeta algum que não fosse expulso da sua cidade pelo seu próprio povo. Dali em diante, Muhammad receberia continuamente a visita do Arcanjo Gabriel; e mediante as circunstâncias, o Alcorão ia sendo revelado.